Misericórdia em risco de encerrar

Misericórdia em risco de encerrar

A Santa Casa da Misericórdia de Paris (SCMP) enfrenta sérias dificuldades que podem levar o Conselho Administrativo a considerar o encerramento da instituição, conforme anunciou a Provedora, Ilda Nunes. O alerta foi feito hoje, 12 de fevereiro, no Consulado-Geral de Portugal em Paris, durante a assinatura de um protocolo de cooperação destinado a facilitar o acesso ao emprego para pessoas de origem portuguesa em situação de vulnerabilidade.
Na presença do Embaixador de Portugal, José Augusto Duarte, e da Cônsul-Geral de Portugal em Paris, Mónica Lisboa — diplomatas que têm acompanhado de perto a SCMP —, o salão Eça de Queirós acolheu uma “Parceria Empresarial para Apoio Social”, evento organizado em conjunto com a Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa (CCIFP).
Embora tenha reconhecido a importância do protocolo assinado com Carlos Vinhas Pereira, presidente da CCIFP, a Provedora salientou que, se não for encontrada uma nova sede com celeridade, “o protocolo que estamos aqui a assinar hoje perde toda a sua razão de ser”.
Durante o evento, foi também lançado o “Clube 15 ou 20 (ou +) Empresas”, uma iniciativa que visa reunir um grupo de empresas comprometidas em contribuir para ajudar a SCMP a manter uma sede e a realizar o seu trabalho social e solidário. O objetivo é que cada empresa contribua com 2.000 a 3.000 euros por ano ou a quantia possível, de acordo com as suas possibilidades. Em contrapartida, as empresas beneficiarão de deduções fiscais, visibilidade no site da SCMP e divulgação nas redes sociais e eventos.
Recorde-se que, a 27 de setembro de 2024, a SCMP recebeu uma carta da CCIFP informando que a instituição teria de abandonar o espaço arrendado até 31 de março de 2025. Desde então, têm sido envidados esforços para encontrar uma nova sede, até agora sem sucesso.
Apesar do sucesso de iniciativas como as recolhas alimentares no Natal e na Páscoa, e do apoio de algumas empresas, do Consulado e da Embaixada de Portugal, a SCMP tem enfrentado dificuldades crónicas na angariação de associados (quota anual de 25 euros) e na mobilização de instituições.
É comum ouvir que a Santa Casa da Misericórdia de Paris (SCMP) é financeiramente próspera “graças aos Jogos da Santa Casa”. Contudo, esta perceção é incorreta. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) possui um estatuto especial em Portugal, sendo responsável pela exploração dos jogos sociais em nome e por conta do Estado, o que lhe permite financiar diversas iniciativas sociais.
Em contraste, a SCMP não recebe qualquer apoio financeiro proveniente dos jogos sociais, dependendo exclusivamente de donativos, angariação de fundos através de eventos e algum apoio da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (DGACCP) para sustentar as suas atividades.
A situação atual é crítica, e a continuidade da SCMP depende do apoio da comunidade e das empresas para assegurar uma nova sede e os recursos necessários para manter as suas atividades de apoio social.